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  LISBON TALKS  
 

Desde a primeira edição que o IndieLisboa sentia a necessidade que os filmes exibidos fossem complementados por discussões sobre o cinema, seja de um ponto de vista mais teórico, seja de um ponto de vista mais prático para se perceber como funciona a produção, a distribuição e a exibição de cinema.
A proposta das Lisbon Talks vem dar a conhecer a estudantes de cinema e jovens profissionais como funcionam os mercados. É necessário “forçar” autores, críticos, técnicos, jornalistas, produtores, distribuidores, exibidores, canais de televisão e restantes profissionais a falar, tanto com convidados portugueses, como estrangeiros.
As Lisbon Talks vão dividir-se em diversas acções: seminário, mesas redondas e masterclasses.

 
 

PAINÉIS/MESAS REDONDAS

 
 

AS NOVAS PLATAFORMAS DIGITAIS - “O Futuro do Cinema?”

Sábado, 21 Abril – Cinema São Jorge, Sala 2 

Moderador: Neil Young (jornalista/crítico de cinema)

Convidados: Cláudia Tomaz (realizador), Edgar Pêra (realizador), Maria João Cruz (produções fictícias/festival microfilmes), Kevin Jerome Everson (realizador). 

Pretende-se com este painel falar sobre o impacto das novas plataformas digitais (vulgo telemóveis, i-pods, outros) no cinema. Algumas décadas atrás, o aparecimento do vídeo levou a uma profunda alteração na forma de encarar a imagem em movimento e na altura questionou-se sobre se este novo meio poderia constituir uma forma artística ou não. Neste momento não subsistem dúvidas quanto a esta realidade (que se impôs naturalmente), mas de novo se questionam formatos e tendências artísticas, até porque os formatos super 8 e o 16 mm estão a desaparecer e, cada vez mais, a película deixa de ser encarada como a única realidade possível. Faz, por isso, sentido, colocar profissionais a uma mesa a discutir esta problemática. 

 
 

UM NOVO CINEMA ALEMÃO – “Renascimento, revolução ou renovação?”

Domingo, 22 Abril – Cinema São Jorge, Sala 2 

Moderador: Michael Baute (crítico de cinema/produtor)

Convidados: Romuald Karmakar (realizador), Nuno Sena (IndieLisboa), (restantes convidados ainda a definir) 

Uma das retrospectivas a realizar no âmbito do IndieLisboa 2007 é “Um Novo Cinema Alemão”. Nomenclatura estranha mas nada obscura se pensarmos que as escolhas revelam o gosto do seu curador, Olaf Möller (editor europeu da revista Film Comment) e de alguma forma apontam para caminhos defendidos para um certo tipo de cinema alemão. Numa única cinematografia cabem muitos tipos de cinema. Esta retrospectiva é isso mesmo. Um caminho para se discutir o cinema alemão contemporâneo. Um tema actual para se falar de uma nova geração de cineastas alemães, que voltaram a colocar a Alemanha no mapa dos principais festivais de cinema mundiais. Nomes como Karmakar, Christian Petzold, Ulrich Köhler, Christoph Hochhäusler ou Valeska Grisebach conquistam prémios em festivais e, ao mesmo tempo, o seu trabalho é reconhecido e reconhecível no contexto do cinema. Desde a sua primeira edição, o IndieLisboa tem dado conta deste novo cinema alemão, escolhendo filmes destes autores para a sua competição, mas ao mesmo tempo, e sempre que tal foi possível, aproveitaram-se as experiências dos outros para se reflectir sobre o cinema nacional. Uma vez mais, esse é o nosso intuito.

 
 

PRODUÇÃO E REALIZAÇÃO INDEPENDENTE – Meios e estratégias de Produção e a sua articulação com a criação artística no contexto mundial

Terça-Feira, 24 de Abril – Cinema São Jorge, Sala 2 

Moderador: Charlotte Garson (crítica Cahiers de Cinéma)

Convidados: Hal Hartley (realizador/EUA), Maria João Sigalho (produtora/Portugal), Michael Baute (crítico cinema e produtor/Alemanha) 

Falar de cinema independente é falar de liberdade na criação artística, seja esta ajudada por subsídios (a fundo perdido ou não) ou feita simplesmente à margem da indústria. Aqui o que interessa discutir é de que forma uma produção inteligente, cuidada e orientada para a divulgação do trabalho de autor pode, ao mesmo tempo, dar liberdade criativa e orientar-se para o circuito de distribuição. A importância das “art-houses” ou cinemas de arte e ensaio para as estreias destes filmes. A importância dos festivais no contexto de divulgação destas obras. 

 
 

DIVERSIDADE CULTURAL NO CONTEXTO EUROPEU: “Festivals as an intercultural space: the UNESCO Convention”

Quinta-feira, 26 de Abril – Cinema São Jorge, Sala 2 

Moderador: Antonio Falduto (ANAC)

Convidados: Ugo Gregoretti (Presidente da ANAC – Italian Film Authors Association e da Italian Coalition for Cultural Diversity), Pierluigi Frassineti (argumentista), Silvana Buzzo, Nino Russo, Thom Palmen (European Coordination of Film Festivals), (convidado português ainda a definir) 

Em parceria com a Italian Film Authors Association, vamos organizar um painel onde se pretende discutir a diversidade do cinema europeu e o seu contexto na realidade dos festivais. Numa altura em que, cada vez mais, se fala da diminuição do apoio do Programa Media ao Audiovisual europeu e no contexto do possível desaparecimento da Coordenação Europeia dos Festivais de Cinema, entidade que unia cerca de 250 festivais de cinema europeus, que contribuía em grande parte para a difusão do audiovisual europeu, este será seguramente um tema quente.

 
 

AS NOVAS PRÁTICAS AUDIOVISUAIS NA FRONTEIRA CINEMA/ARTE CONTEMPORÂNEA

Sexta-feira, 27 de Abril – Cinema São Jorge, Sala 2 

Moderador: François Bonenfant (programador Cinemateca Francesa)

Convidados: João Pedro Rodrigues (realizador), Matthieu Orléan (curador de exposições da Cinemateca Francesa), Géraldine Gomez (programadora de cinema do Centre Georges Pompidou) 

Num contexto de contaminação, cada vez mais as fronteiras do cinema se esbatem e vão cruzar-se com as de outras artes contemporâneas. Hoje em dia muitos cineastas fazem instalações dos seus filmes, ao mesmo tempo que fazem exposições de fotografia e que tudo se mescla num projecto audiovisual que muitas vezes temos dificuldade em definir. É neste cruzamento que surgem actualmente as propostas mais fortes no campo do cinema e, por isso, secções como o Laboratório têm lugar no IndieLisboa e, como nós afirmamos, é o espaço para a total liberdade e para quem quer de facto arriscar.

 
 


 
 

SEMINÁRIO

 
 

DISTRIBUIÇÃO E EXIBIÇÃO DE CINEMA - Dirigido a estudantes de cinema ou da área audiovisual, bem como a outros profissionais do meio.

Quarta-feira, 25 de Abril – Cinema São Jorge, Sala 2 

Este seminário é constituído por cinco painéis, com diversos convidados nacionais e internacionais de renome na área. Esta actividade tem início às 09h30 e termina às 17h30, tem um custo de 35€ por participante (refeição ligeira incluída) e requer inscrição através do email guest@indielisboa.com, até dia 18 de Abril. 

 
 


 
 

MASTERCLASSES

 
 

Nas três edições transactas, o IndieLisboa organizou, em parceria com a escola Restart, um conjunto de masterclasses e workshops que reforçaram a componente pedagógica e de formação do Festival. Nomes como John Cooper (Director de Programação do Sundance Film Festival), Jay Rosenblatt (realizador/Herói Independente IndieLisboa 2006) ou Mike Blum (animador/director de animação de algumas produções da Disney) estiveram presentes no festival e falaram para uma plateia de interessados.

Em 2007, o número de masterclasses aumentará e serão dadas por alguns dos convidados do IndieLisboa 2007: Caveh Zahedi, Kevin Jerome Everson, William E. Jones e François Bonenfant.

Estas masterclasses têm início às 10h00 e terminam às 17h00 (com uma hora para almoço), têm um custo de 25€ por participante e requerem inscrição na Restart (mais info em www.restart.pt ), até dia 18 de Abril

 
 

O TRABALHO COM FOUND-FOOTAGE

Por WILLIAM E. JONES

Domingo, 22 de Abril  (10h00-13h00/14h00-17h00) 

Objectivos

Pretende-se que os participantes aprendam a saber recolher, seleccionar e trabalhar com material fílmico encontrado, o chamado found-footage. Falar-se-á sobre formas alternativas de produção independente de cinema e vídeo com baixos (ou muito baixos) custos a propósito de um tipo de trabalho original, com forte componente pessoal e autoral, que respeitando os grandes mestres do cinema os reenquadra em contexto próprio.

Conteúdos

- Apresentação e análise da obra de William E. Jones

- O trabalho com found-footage (material fílmico encontrado)

- A importância da procura e recolha de material

- A selecção do material e a sua adequação à obra que se pretende fazer

- A importância do som no trabalho com found-footage 

Formador

O métier de William E. Jones é a homossexualidade, o seu vernáculo e filme documentário experimental, as suas paisagens, o Sul da Califórnia (onde vive e trabalha) e os subúrbios do Ohio (onde cresceu), os seus modos, maneirismos. Em onze filmes e vídeos notáveis, e inumeráveis fotografias produzidas durante os últimos quinze anos, criados com base nas invenções cinemáticas de artistas californianos e estrangeiros  – desde Morgan Fisher, Fred Halsted, Joe Gage e Thom Andersen a Werner Schroeter, Luis Buñuel, Jean-Daniel Cadinot, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet – Jones repensou as categorias banalizadas, assim como as fronteiras entre a arte e a pornografia, dos fãs e dos críticos, de Hollywood e de outras formas de fazer cinema. Ao contrário de tantos outros, que utilizam imagens pornográficas para noções moribundas de “titilação” ou “choque”, ao utilizar uma imagética mais conceptual, reiterando-a, ao invés de questionar as práticas sexuais e relacionais dominantes, Jones frustra essa falta de pensamento, muitas vezes através de uma renovação em movimento do que escapou ou se perdeu, visto como sendo indigno de consideração.

O IndieLisboa 2007 vai apresentar o seu filme de média metragem (V.O.), apresentado nos principais festivais em todo o mundo e o seu filme de curta metragem mais recente (Mansfield 1962).

 
 

LOW BUDGET FILMMAKING

Por CAVEH ZAHEDI

Segunda-feira, 23 Abril (10h00-13h00/14h00-17h00) 

Objectivos

O realizador de cinema independente americano Caveh Zahedi vai oferecer uma master class sobre a realização e produção de filmes, com pequenos orçamentos. Através de um estudo de caso aprofundado da produção e realização de cada um dos seus quatro filmes, irá discutir as realidades práticas envolvidas na criação de filmes pessoais, que também conseguem distribuição no mercado. A classe vai incluir uma discussão sobre a redacção de argumentos, produção, pós-produção, distribuição e marketing.   

Formador

Caveh Zahedi começou a fazer filmes enquanto estudava filosofia na Universidade de Yale. Depois da licenciatura foi para a Suíça tentar trabalhar com Jean-Luc Godard, mas a parceria não chegou a concretizar-se. Ao regressar aos Estados Unidos começou a trabalhar num filme sobre o fotógrafo do início do século, Muybridge. Em seguida, inscreveu-se na escola de cinema da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e mudou-se para lá, com a esperança de fazer filmes mais viáveis de um ponto de vista comercial. Na UCLA conheceu e começou a colaborar com Greg Watkins. Mais recentemente, dirigiram em conjunto “A Little Stiff”, uma narrativa experimental na qual se reconstitui o amor não correspondido por uma aluna de Belas Artes, utilizando os participantes da vida real. O filme estreou-se em competição no Sundance Film Festival, teve críticas generalizadas excelentes, e foi transmitido tanto na televisão alemã como no Canal Sundance. Depois disso, Caveh Zahedi fez diversos filmes de curta e longa metragem. Foram todos apresentados em festivais de cinema importantes como Roterdão ou Sundance. Alguns dos filmes de curta metragem foram feitos em colaboração com Jay Rosenblatt (Independent Hero IndieLisboa 2006).

O IndieLisboa 2007 vai apresentar a sua última obra, “I Am a Sex Addict”, também apresentada nos principais festivais em todo o mundo

 
 

CINEMA INDEPENDENTE – REALIZAÇÃO/PRODUÇÃO

Por KEVIN JEROME EVERSON

Terça-feira, 24 de Abril (10h00-13h00/14h00-17h00) 

Objectivos

Pretende-se que os participantes aprendam e registem formas alternativas de produção independente de cinema e vídeo, sobretudo com baixos orçamentos. E, ao mesmo tempo, sejam confrontados com um tipo de trabalho original, com forte componente pessoal e autoral.  

Conteúdos

- Apresentação e análise da obra de Kevin Jerome Everson

- Estratégias de produção/realização independente

- Trabalhar com diferentes formatos cinema/vídeo

- O Cinema como instrumento de intervenção  

Formador

O trabalho artístico e os filmes de Kevin Jermome Everson lidam com a resposta aos materiais diários, condições, tarefas e/ou gestos das pessoas de ascendência africana. O seu trabalho é diverso, através de uma variedade de meios como a fotografia, filme, escultura, livros de artistas e pinturas. Os resultados fazem geralmente uma referência formal à história da arte e assemelham-se a objectos ou imagens vistas na cultura proletária. Esta estratégia convida a que o trabalho seja interpretado por uma variedade de comunidades. Durante os últimos dez anos completou dois filmes de longa metragem, e mais de trinta de curta metragem, em 16 mm, 35 mm e filmes digitais. Os seus filmes concentram-se nas condições, tarefas e gestos numa comunidade de trabalhadores Negros Americanos. Revelam a implacabilidade da vida diária, assim como a beleza da mesma, e têm uma sensação naturalista, quase de documentário. Keven Jerome Everson ensina na Universidade da Virgínia. O IndieLisboa 2007 vai apresentar dois dos seus últimos trabalhos (Cinnamon e According to) apresentados nos principais festivais em todo o mundo. 

 
     
     
 
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