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Um filme de acção, um triller e um filme sangrento. EUREKA poderia fazer parte de qualquer uma destas categorias, mas o premiado filme de Aoyama é, sobretudo, um filme sobre os incomensuráveis danos que perduram naqueles que são vítimas de qualquer tipo de violência injustificada. Três sobreviventes de um tiroteio estão tragicamente destinados a “vaguear para sempre por entre os ventos”, uma citação do filme “A Desaparecida” de John Ford, que Aoyama usa como inspiração. Com momentos de grande tensão e outros de uma frieza aterradora, a maior parte das vezes, EUREKA parece um espelho da concha que protege os personagens do seu trauma. Um filme longo que se constrói através de um elaborado puzzle de identidades e sentimentos, em redor de um acontecimento (o tiroteio), do qual nunca chegamos a conhecer as causas. Como se se tratasse de um acontecimento comparado a uma força da natureza: inalterável, sem possibilidade de análise. O realizador diz ter-se inspirado no ataque ao metro de Tóquio, em 1995, com gás sarin e nas condições de vida do pós-guerra, no Japão. Mas este filme poderia ser inspirado em qualquer dos muitos actos de violência gratuita que acontecem por todo o mundo. |
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