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Um puzzle delicado e bem estruturado, ora documentário, ora saga familiar, REQUIEM FOR BILLY THE KID junta diversos elementos com o objectivo de perceber até que ponto se pode fingir que a ficção é realidade. O mito do velho Oeste norte-americano foi morto aos 21 anos pelo seu ex-parceiro de crimes Pat Garret, na altura xerife do Novo México. A premissa do filme é a investigação em torno das circunstâncias deste assassinato. Sentimo-nos transportados para o século XIX, e para os velhos filmes de cowboys: as construções são as mesmas, as pessoas vestem-se da mesma forma, a paisagem é idêntica. E não, as imagens não são cenários. Esta actualidade impressiona e torna mais ténues as fronteiras entre ficção e realidade. As pessoas que dão a cara são reais, mas as vozes em off são fictícias. Há inclusive um diálogo imaginário entre Billy the Kid e uma narradora (a realizadora). O filme tem uma relação directa com “Pat Garret & Billy the Kid”, de Sam Peckinpah, exibido na última edição do IndieLisboa, na secção Director`s Cut. O actor Kris Kristofferson (que interpretava Billy the Kid, nesse filme) “ressuscita” aqui a poesia de Rimbaud para nos dar a perceber as semelhanças entre o pistoleiro e o poeta: Billy morreu aos 21 anos, Rimbaud deixou de escrever com a mesma idade. Ambos eram rebeldes e aventureiros, e os poemas de Rimbaud encaixam na perfeição com as paisagens do velho Oeste. |
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