| |
O narcisismo é, regra geral, considerado como algo negativo, mas Lisandro Alonso mostra-nos que afinal também pode ser uma fonte criativa muito poderosa. FANTASMA faz um pouco o balanço dos dois primeiros filmes do realizador (“La Libertad” e “Los Muertos”, ambos exibidos na retrospectiva de Cinema Argentino, no IndieLisboa 2005), mas ao mesmo tempo marca uma viragem no seu estilo. Realizado sem guião e orientado pela inspiração, Alonso coloca Argentino Vargas e Misael Saavedra (as duas personagens dos filmes anteriores) num cenário diferente: o Teatro San Martin, em Buenos Aires. A escassez de diálogos e o deambular fantasmagórico das personagens faz-nos pensar em “Goodbye, Dragon Inn”, de Tsai Ming Liang, um dos únicos realizadores que Alonso reconhece como influência do seu trabalho. Extremamente poético e radical, FANTASMA é uma reflexão lúcida e irónica sobre o cinema artístico actual.
|
|