| |
Esta retrospectiva é dedicada aos que trabalham em
prol de um cinema totalmente livre de pré-conceitos
e preconceitos, livre de indústrias pesadas e mercados
autistas, livres, sobretudo, de resultados imediatos. São
os duros, são os pacientes da nova era e, como tal,
são os heróis do cinema independente. Como nunca
chegam a entrar no sistema, como são sempre marginais
à linha de conduta esperada não se tornam arrogantes,
preguiçosos ou carreiristas. Tornam-se maiores, tornam-se
visionários. Em cada edição do festival
será, por isso, prestada uma pequena homenagem, com
a apresentação da retrospectiva da obra de uma
personalidade desde sempre associada ao cinema independente,
que poderá ser um cineasta, actor/actriz, produtor
ou outro.
Os homenageados
das edições anteriores foram o Festival de Sundance,
em 2004, e o cinema independente argentino e o cineasta chinês
Jia Zhangke, no ano passado.
O IndieLisboa
2006 vai homenagear os realizadores Michael Glawogger, Jay
Rosenblatt, Nobuhiro Suwa e Edgar Pêra, no âmbito
da secção Herói Independente.
Glawogger,
aclamado realizador austríaco, é autor de extraordinários
documentários, tais como o assombroso “Megacities”,
ou o seu último épico, “Workingman’s
Death”, um objecto provocador que denuncia o trabalho
que se faz em todo o mundo sob condições extremas.
Poético e sensível, Michael Glawogger destaca-se
pelo seu estilo único. “Slumming”, a mais
recente longa de ficção do cineasta, vai ser
exibida em antestreia mundial na secção competitiva
da próxima edição do Festival de Berlim.
Inteligente,
clarividente, analítica, lírica e surreal. Estas
são algumas das principais características da
obra notável de Jay Rosenblatt, na
sua maioria constituída por curtas-metragens experimentais
a preto e branco, compostas a partir de filmes retirados de
arquivos históricos, found footage e filmes educacionais
do pós-Segunda Guerra Mundial, e que são colecções
de reflexões perturbantes sobre a sociedade e as suas
políticas. O IndieLisboa distinguiu o seu “Phantom
Limb” no ano passado com o prémio Onda Curta.
Já
o realizador japonês Nobuhiro Suwa
é o herdeiro oriental do cinema europeu. Se “H
Story” parte da memória de “Hiroshima,
Mon Amour” de Alain Resnais, o seu quarto e mais recente
filme, “Un Couple Parfait”, evoca Antonioni, neste
retrato de uma relação moribunda, com as devastadoras
interpretações de Valeria Bruni-Tedeschi e Bruno
Todeschini. Os filmes de Suwa nunca tiveram estreia comercial
em Portugal, e esta será uma oportunidade única
para o público português conhecer o seu belíssimo
trabalho.
Por fim,
Edgar Pêra, o primeiro Herói
Independente português a que o IndieLisboa presta homenagem.
Com uma obra multi-facetada, experimental, descomprometida
e inclassificável, Pêra trilhou um caminho caracterizado
por uma profunda independência. Até hoje, num
percurso que conta com um sem número de obras realizadas
nos mais diversos formatos e suportes, apenas “A Janela
– Maryalva Mix” contou com financiamento público.
O realizador está a acabar o seu mais recente filme
que o IndieLisboa apresentará em antestreia, num programa
que irá passar em revista a sua obra.
Além destes 4 programas de homenagem, o IndieLisboa,
em colaboração com o Instituto do Cinema Sueco,
vai organizar uma retrospectiva de 110 anos de curtas-metragens
suecas, onde serão mostrados trabalhos de
Ingmar Bergman, Jan Troell, Roy Andersson e Lukas Moodyson,
entre outros..
|
|