Born
Into Brothels: Calcutta’s Red Light
Kids
Zana Briski, Ross
Kauffman |
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21
ABRIL - 21h00 - FÓRUM LISBOA
(Apresentado pelo Realizador)
25 ABRIL - 16h00 - FÓRUM LISBOA
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| Índia.
Calcutá. As pessoas mais estigmatizadas
do bairro da luz vermelha de Calcutá
não são as prostitutas,
mas os seus filhos. Enfrentando a
pobreza abjecta, o abuso e o desespero,
estas crianças têm muito
poucas possibilidades de escapar ao
destino das suas mães. Os realizadores
Zana Briski e Ross Kauffman fazem
a espantosa crónica da transformação
das crianças que conheceram
no bairro da luz vermelha. Briski
é uma fotógrafa profissional
e há meses que vem fazendo
um trabalho sobre as mães destas
crianças quando se dá
conta que pode ensinar-lhes a ver
o mundo com outros olhos. Dá-lhes
aulas e máquinas fotográficas,
acendendo--lhes o génio artístico,
ensinando-lhes a técnica básica,
iluminação, composição,
o desenvolvimento de pontos de vista,
edição e sequência
narrativa. Aponta e dis-para. Com
a mais simples tecnologia das suas
câmaras baratas, as crianças
levam a cabo um trabalho notável.
Explosões de cor. Auto-retratos.
Retratos de família. Cenas
de rua. Uma visita à praia.
Desprovido de sentimentalismo, Born
into Brothels desafia a típica
representação manchada
de lágrimas do submundo global.
A arte fotográfica assume um
objectivo educativo que aqui ganha,
sobretudo, um sentido social. |
Realidade
é menos dura através
da objectiva
Jornal de Notícias
- 21 de Abril 2005 |
"Born
into brothels", filme que abre
hoje a 2.ª edição do
Indie Lisboa não será
tanto um documentário sobre
os filhos das prostitutas do "bairro
vermelho" de Calcutá,
India, mas antes um registo de um
projecto, por si só, notável.
Os realizadores, Zana Briski e Ross
Kauffman, passaram vários anos
a conviver com as prostitutas daquele
que será seguramente um dos
ambientes urbanos mais imundos do
Planeta, e apegaram-se às crianças
que por ali se atropelam, antes de
terem a ideia genial de lhes pôr
nas mãos máquinas fotográficas.
O exercício serviria essencialmente
para aliciar as crianças (todas
com cerca de dez anos) para uma actividade
e uma possibilidade de futuro diferente
daquele a que pareciam condenados
antes ainda de nascerem, mas os resultados
artísticos foram de tal forma
surpreendentes que chamaram a atenção
de meio mundo, incluindo da conceituada
World Press Photo.
"Born into brothels" começa
por ser um filme difícil de
digerir, tão violenta é
a miséria em que vivem aquelas
gentes, mas, para lá da estilização
da pobreza e algumas imagens desnecessariamente
chocantes, jaz uma experiência
a que é impossível ficar
indiferente.
As crianças de "Born into
brothels" apresentam uma maturidade
tão difícil de entender
quanto absolutamente fascinante, e
olhando para algumas das imagens que
os jovens captaram, não se
acredita à primeira que possam
ser obra de amadores. Também
por aí passa grande parte do
charme do filme. No meio de todo aquele
lixo, há um imenso desperdício
de talento.
Cientes disso, numa opção
certamente duvidosa e muito discutida
pela crítica, os realizadores
não se limitam aqui a observar
à distância. Interveêm,
por vezes, até de forma descontroladamente
apaixonada. Tudo fazem para convencer
os pais e avós das crianças
a deixá-los ir para a escola,
metem-se em aventuras burocráticas
que redefinem a expressão "terceiro
mundo", correm médicos,
escolas, funcionários do Governo.
A luta é desesperante, inglória,
e, em última instância,
provavelmente, abusiva.
Mas "Born into brothels"
não nega que seja esse o caso.
É um filme extraordinariamente
honesto, e, também por isso,
um triunfo. Alguma crítica
acusa-o de puxar demasiado à
lágrima, mas quem conseguir
não ficar comovido com este
filme é portador de sangue
gelado. MM |
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Ross
Kauffman Começou
por trabalhar como editor de documentários
(1992-2000). Em 1994, iniciou uma
colaboração com o
produtor e editor Sam Pollard, editando
diversos projectos como Hookers
of the Point, um dos mais cota-dos
documentários na história
da HBO. Desde 2000 que procura diferentes
aspectos da produção
documental, o que o levou a iniciar-se
recentemente na produção
e direcção de documentários
independentes.
“Zana
enviou-me depois 4 cassetes que
ela tinha filmado em Calcutá
para que eu as criticasse (ela nunca
tinha filmado em vídeo antes).
Durante os primeiros dez minutos
de visionamento da cassete, percebi
que ia para Calcutá. Estou
eternamente grato à Zana
e aos miúdos por terem partilhado
as suas vidas comigo.”
Zana
Briski Nasceu
em Londres, Inglaterra. Depois de
tirar um mes-trado em teologia e
estudos religiosos na Universidade
de Cambridge, es-tudou fotografia
documental no International Center
of Photography, em Nova Iorque.
Em 1995, faz a sua primeira viagem
à Índia, produzindo
uma história sobre infanticídio
feminino. Em 1997 regressa à
Índia e dá início
ao seu projecto sobre as prostitutas
do bairro da luz vermelha de Calcutá.
Tem ganho inúmeros prémios
e bolsas, nomeadamente o primeiro
prémio da secção
de competição da Fundação
World Press Photo.
“(Ross)
estava preocupado com a história.
Pedi-lhe que esperasse. A história
haveria de se revelar por si. E
assim foi.”
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Entrevista
com Ross Kauffman
DN - 21 Abril 2006 - Rodrigo Cabrita
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Como
nasceu o projecto de Born into Brothels,
esta ideia de irem para o bairro
da prostituição de
Calcutá filmar a vida dos
filhos das prostitutas, darem a
um grupo dessas crianças
máquinas de fotografar e
pô-las a registar o seu quotidiano?
A
Zana Briski, que é uma fotojornalista,
estava a viajar pela Índia.
Alguém a levou ao bairro
da prostituição de
Calcutá e ela ficou imediatamente
fascinada pelo lugar. Sentiu que
tinha que o compreender e por isso
começou logo ali a sua tentativa
de ter acesso ao bairro. Acabou
por conseguir viver num bordel com
as mulheres, por poder tirar fotos
a elas e às crianças
e começar a ensinar-lhes
fotografia. Depois veio ter comigo
e disse que queria documentar tudo
num filme. Acabei por dizer que
sim - e isso foi há quatro
anos e meio.
Então
quando começaram a fazer
o filme, a Zana Briski já
tinha aberto todas as portas necessárias?
Sim,
como ela já lá tinha
vivido dois anos, havia ganho a
confiança das mulheres e
das crianças. Era a professora
delas e portanto tinha acesso a
tudo. Quando cheguei, foi muito
fácil começar logo
a filmar.
Aquele
bairro é uma comunidade,
mesmo que lá se pratique
a prostituição, e
o filme mostra esse lado humano.
Mas deve ser um lugar bastante perigoso.
É
sim. Há apunhalamentos e
assassínios e muitas outras
coisas más. Enquanto estávamos
a filmar, tínhamos que estar
muito cientes de tudo o que nos
rodeava. Nunca filmámos quem
não queria ser filmado, respeitámos
toda a gente e tivemos sempre muito,
muito cuidado.
Apesar de viverem na pobreza, de
as mães serem prostitutas
e de pelo menos as raparigas temerem
vir a ter o mesmo destino delas,
há naquelas crianças
uma alegria enorme e alguma esperança
numa vida futura melhor.
Elas têm uma alegria muito
própria, são crianças
extraordinárias, apesar de
viverem ali, e as mães amam-nas
muito - quisemos que isso se visse
bem no filme - e preocupam-se com
elas, só que não são
capazes de tomar conta delas. Elas
vieram até nós pedir
que ajudássemos os filhos
e as filhas a sair dali. Reagimos
a essa necessidade e isso não
estava planeado. Aconteceu.
Ali vive-se como que debaixo de
uma fatalidade. A avó foi
prostituta, a mãe é
prostituta, a filha está
destinada à prostituição.
Uma das meninas conta que uma mulher
lhe perguntou quando é que
"ia para a linha" como
a mãe.
É um círculo vicioso
e esperamos poder quebrá-lo.
As avós e as mães
não querem que os filhos
vão para "a linha".
Mas não há mais nenhum
lugar para as crianças irem
quando crescerem, não podem
escapar àquele ambiente e
à estigmatização
de serem filhos de prostitutas.
Penso que a chave é educá-las
e tirá-las daquele meio,
mas mantê- -las sempre em
contacto com as famílias,
e depois deixá-las ir para
onde quiserem quando crescerem.
Por isso, a Zana e eu criámos
a organização Kids
With Cameras. Estamos a planear
construir uma escola para crianças
em Calcutá e a desenvolver
projectos iguais a este noutras
partes do mundo. E ficámos
em contacto com as crianças
- ainda ontem falei com o Avijit,
ele quer ir estudar nos EUA. Uma
das miúdas manda-me SMS a
toda a hora desde que lhe ofereci
um telemóvel... é
magnífico.
É
impressionante a receptividade que
as crianças tiveram à
fotografia e a sensibilidade que
revelaram.
A
Zana ficou espantada com a qualidade
das fotos na aula em que recebeu
as primeiras provas de contacto.
Ao carinho que ela sente pelas crianças
veio juntar-se a vontade de as estimular
criativamente. Temos andado a mostrar
por todo o mundo as fotografias
tiradas pelas crianças e
a vendê-las para angariar
dinheiro para a sua educação.
O que é interessante nesta
experiência é que,
embora algumas das crianças
tenham mais talento que as outras,
todas têm o seu estilo individual,
e isso não se pode ensinar
a ninguém.
Vocês
conseguiram evitar que, mesmo sem
querer, o filme se tornasse paternalista
ou "pedagógico",
precisamente por se terem envolvido
tão intima e intensamente
com as crianças.
Sim,
primeiro que tudo porque adoramos
aquelas crianças e temos
um enorme respeito por elas e pelas
famílias. São miúdos
incríveis, cheios de vida,
de atrevimento, de energia. E porque
temos a noção de que
qualquer um de nós podia
estar na situação
delas, podia ter nascido naquela
miséria indescritível.
A Zana e eu nunca quisemos julgar
ninguém ou fazer moral e
esperamos que isso se perceba no
filme.
Qual
foi a sensação de
terem ganho o Óscar de Melhor
Documentário com o vosso
primeiro filme?
Foi
óptima! E o facto de termos
ganho o Óscar ajudou-nos
muito no trabalho com as crianças.
Para começar, tivemos muita
publicidade - o que nem sempre é
muito bom na Índia -, e depois
tornou-nos a vida mais fácil,
porque lá demora muito tempo
a conseguir seja o que for, a burocracia
é monumental.
As
crianças já viram
o filme?
Sim,
em Janeiro, em Calcutá, e
no DVD, que sai em Setembro, vamos
incluir um documentário onde
as mostramos a vê-lo.
Como
é que elas reagiram?
De
todas as maneiras possíveis.
A Kochi chorou, o Avijit também,
na cena onde se revela a morte da
mãe. Mas também se
riram imenso. Mas o que mais me
impressionou é que todas
o compreenderam. E quando acabou,
vieram abraçar-nos e agradecer-nos.
Foi melhor do que ganhar o Óscar. |
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Documentário |
Índia, EUA
2004, 85’, Beta Digital, Cor,
Dolby Digital
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| Música:
John McDowell
Fotografia: Ross Kauffman,
Zana Briski
Montagem: Nancy Baker,
Ross Kauffman
Produtor: Ross Kauffman
and Zana Briski
Produção:
Geralyn White Dreyfous
Prémios e Festivais
2005: Oscar para Melhor Documentário;
2004: Críticos de Cinema de L.A.
(Melhor Documentário do Ano), Festival
de Cinema de Sundance (Prémio do
Público), Human Rights Watch (prémio
Nestor Almendros para coragem no cinema),
Festival Internacional de Cinema de Seatle
(Melhor Documentário), Festival
de Cinema de Silverdocs (Prémio
do Público), Festival de Cinema
da Amnistia Internacional (Prémio
do Público)
Vendas
Jessica Manzi,
Publicist HBO
1100 6th Avenue
New York, N.Y. 10036
USA
T: +0012125121322
jessica.manzi@
hbo.com
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